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Povos Indígenas no Paraná

No Paraná, vivem cerca de 13.300 indígenas. Aproximadamente 70% pertence ao povo Kaingang (tronco linguístico Macro-Jê) e 30% ao povo Guarani (tronco linguístico Tupi-Guarani).

Há famílias descendentes do povo Xetá (tronco linguístico Tupi-Guarani) e algumas do povo Xokleng (tronco-linguístico Macro-Jê), distribuídas em 23 Terras Indígenas/Aldeias.


Povo Guarani | Povo Kaingang | Povo Xetá | Povo Xokleng

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Povo Guarani

O Povo Guarani pertence ao tronco linguístico Tupi, foi dividido por Schaden (1954) a partir de suas diferenciações dialetais, sistema de crenças e rituais, em 3 subgrupos:Guarani-Nhandeva, Guarani-Kaiowá (conhecidos como Pay Tavyterã no Paraguay) e Guarani-Mbya.
Atualmente somam aproximadamente 34 mil pessoas no Brasil e estão distribuídos pelos Estados do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul,São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Mato Grosso do Sul. Estão presentes ainda, em países como o Paraguay, Argentina, Bolívia e Uruguai. No Paraná são 4.000 pessoas, aproximadamente.

Entre os Guarani, estão presentes nos discursos cosmológicos, desde o século XVI, referências à Terra Sem Mal que é um lugar indestrutível, morada dos ancestrais, dos deuses, da abundância, das danças, acessível aos vivos onde é possível ascender sem a necessidade de morte. A Terra Sem Mal é, efetivamente, a preocupação dos xamãs guarani. O xamanismo ocupa um espaço central na cosmologia e na construção da sociabilidade Guarani. O xamã – Karaí circula e mantém contato entre o mundo dos vivos, dos mortos, dos espíritos, da natureza etc. É através desse contato com os diversos mundos, que adquirem forças para estabelecer as relações na aldeia.

Os Guarani necessitam do trabalho do xamã para constituir seu universo social. Através de seu trânsito entre as divindades, o xamã adquire conhecimentos e forças para levantar as relações sociais típicas do modo de ser Guarani, “sem xamã não há agricultura, caça, pesca, parentela nem tekoha”.

O povo Guarani possui seus métodos próprios de ensino-aprendizagem.
Assim como o xamanismo, o sistema de ensino-aprendizagem Guarani articula dois universos: cosmológico (conhecimento divino) e sociológico (conhecimentos individuais experimentados ao longo da vida).

Uma definição da ciência Guarani: compreender sempre o que se escuta por si dos deuses e o que aconselham entre si os humanos. Os mais velhos seres potencialmente divinos, são dotados de maior sabedoria e ocupa um espaço central na transmissão dos conhecimentos, fazendo circular o nhe’e porã – as belas palavras, entre os parentes, orientando as condutas moralmente aceitas em sociedade.

Nas palavras dos xamãs, os conhecimentos que unem homens e deuses são reproduzidos e socializados no interior da Opy. A oralidade é a forma de transmissão de saberes mais valorizada entre os Guarani, a partir da qual são repassadas as narrativas de eventos míticos, história dos antepassados e suas experiências pessoais. Os Guarani ensinam e aprendem conversando, as falas são discretas e mansas.
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Povo Kaingang < br/> Pertence à família linguística Jê, tronco Macro-Jê, representada por uma população de cerca de 25 mil pessoas distribuídos em 32 Terras Indígenas, pelos Estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. No Estado do Paraná, contabilizam, aproximadamente, 9.120 pessoas, distribuídos em 13 Terras Indígenas.

Entre os Kaingang, a cosmologia e a organização social são marcadas por um sistema de metades denominadas Kamé e Kairu, que classificam os parentes, os não-parentes, os humanos, as plantas, os animais e os espíritos.

Na mitologia são os irmãos gêmeos, responsáveis pela criação dos seres da natureza e dos homens, que definiram as regras sociais e as condutas morais que os Kaingang devem seguir.

Entre estas regras está o casamento exogâmico, a descendência patrilinear, a nominação e as práticas rituais.

Entre os Kaingang, há complementaridade entre conhecimentos transmitidos pela via paterna e materna. O pai transmite para o filho bens materiais (entre eles o sítio, de domínio sociológico), e também conhecimentos específicos, entre eles os conhecimentos xamânicos (de domínio cosmológico).

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Povo Xetá
Os Xetá pertencem ao tronco linguístico Tupi-Guarani.

Foram contactados no século XIX, contudo, é a partir da década de 1940 que se intensificam as notícias sobre esse grupo. Habitavam tradicionalmente o noroeste paranaense, as margens do rio Ivaí, região conhecida como Serra de Dourados.
No Estado do Paraná, os Xetá compartilham com os Guarani e Kaingang a Terra Indígena de São Jerônimo da Serra (localizada no município de São Jerônimo da Serra) e a aldeia urbana de Curitiba Kakané Porã.

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Povo Xokleng
Os Xokleng, assim como os Kaingang, pertencem à família linguística Jê, tronco Macro-Jê. A proximidade linguística/cultural entre os dois grupos tem suscitado inúmeras discussões entre os pesquisadores.

Segundo Veiga, “Eles são, de fato, os mais próximos entre os Jê e partilham uma mesma cosmovisão embora sua organização social tenha diferenças marcantes ainda não plenamente esclarecidas” (2006, p. 43).

O território, tradicionalmente, ocupado pelo povo Xokleng estendia-se de São Paulo ao Rio Grande do Sul.

Em Santa Catarina, habitam a Terra Indígena de Ibirama. Esta, é compartilhada com os Guarani e Kaingang e os casamentos interétnicos são freqüentes. No Paraná, dividem a Terra Indígena de Apucaraninha com os Kaingang, aproximadamente 30 Xokleng.

É provável que a presença dos Xokleng (vindos de Santa Catarina) esteja diretamente ligada aos laços de parentesco construído com os Kaingang.

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